COLUNISTA -
Benvindo Rodrigues é Economista/MBA (Thunderbird, American Graduate School of International Management, U.S.A.) e Consultor Internacional.
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Sr. Presidente do INE António Duarte,
Não tenho por hábito reagir aos comentários que são feitos aos meus artigos de opinião, mas, hoje, vou abrir uma excepção, para, em relação à sua “Nota de Esclarecimento”, dada à estampa no dia 20 de Outubro, p.p., no jornal Liberal, clarificar à opinião pública o seguinte:
1. Diz o Sr. Presidente, que critiquei, sem domínio técnico, as últimas estatísticas da pobreza, divulgadas pela instituição que preside, na tentativa de desvalorizar o conteúdo do artigo em questão. Fica a saber, o Presidente do INE, que fui, em 2000/2001, enquanto Desk Officer do Programa Nacional de Luta contra a Pobreza (PNLP), financiado, na altura, pelo Banco Mundial, Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Banco Africano de Desenvolvimento, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e União Europeia, um dos pontos focais do PNLP junto do INE/BM, na discussão e aferição da melhor metodologia para se realizar o IDRF 2001/2002, que serviu de base à definição do limiar da pobreza monetária no país.
2. Sendo certo que fui recrutado por concurso público e avaliado por um júri internacional exerci funções no já citado Programa Nacional de Luta contra a Pobreza durante 5 anos trabalhando com mais de 150 bolsas de pobreza, espalhadas por todas as ilhas e concelhos do país.
Esclareço ainda o Sr. Presidente do INE que, depois dos 5 anos de trabalho nesse Programa, continuei a exercer a minha actividade profissional como consultor tendo efectuado, entre outras coisas, avaliações de impacto de programas de luta contra a pobreza, financiados e supervisionados pelo BM e outros parceiros em países como Moçambique, Guiné-Bissau, S.Tomé e Prínicipe, Burkina-Faso, etc., discutindo, aprofundando e consensualizando com os especialistas desses financiadores e técnicos dos programas desses países, as melhores práticas de definição e actualização de limiares de pobreza, de avaliação do impactos e de demonstração de casos de sucesso, levando em conta, todas as dimensões desse fenómeno, que não apenas a monetária.
Ainda que o Sr. Presidente do INE (ou outros Directores-Gerais, Presidentes de Institutos, Fundos Públicos, membros de Conselhos de Administração nas Empresas Públicas ou Delegados do Governo nas Participadas) tivesse sido, como eu fui, recrutado por concurso público e avaliado por um júri internacional, consideraria dispensáveis as lições técnicas que, sobre o capítulo da pobreza em Cabo Verde, pretende dar-me!
3. Sem querer desprestigiar os técnicos do INE e do BM, que estiveram envolvidos na definição da metodologia, recolha, tratamento e divulgação dos dados da pobreza, não é pelo número de viagens realizadas a Washington D.C. pelo INE e a Cabo Verde pelo BM, que se pode avaliar, da boa tecnicidade da metodologia utilizada para o QUIBB 2007. Não conseguiu o Presidente do INE explicar, porque é que no IDRF 2001/2002, um agregado familiar foi observado durante 15 (quinze) dias consecutivos para a captação das despesas alimentares e diárias e a recolha dos outros dados das outras despesas - durante um ano e, no QUIBB 2007 com uma passagem única e a recolha por apenas 36 dias.
4. Sobre as empresas, está tudo dito que são dados preliminares e o INE não pode e não deve ficar pelos dados preliminares, pois isso belisca a sua credibilidade. Só depois de ter dados definitivos é que deve publicá-los. É isso é que dá confiança às pessoas e instituições que procuram dados para tomada de decisões numa base bem informada.
5. Por muito que custe ao Sr. Presidente do INE, continuarei, sempre que entender necessário, sem medo de represálias de quem quer que seja, a emitir as minhas opiniões sobre matérias da minha área de formação e de experiência de trabalho acumulada ao longo dos anos, dentro e fora de Cabo Verde, que têm a ver com o processo de desenvolvimento do meu país, que quero ver a avançar e a ombrear-se com os demais países avançados.
Não sou daqueles tantos que vivem das benesses do poder, que são nomeados para cargos públicos por serem militantes e/ou simpatizantes dos partidos do poder, que têm medo de criticar coisas que vão mal, porque são despromovidos e/ou despedidos.
Não vendo a minha consciência a um partido que transforma a administração pública de Cabo Verde no seu quintal, com sistemas montados de espionagem de técnicos que não lhe são fiéis e subservientes.
Não vendo a minha consciência a um partido que não deixa os quadros da Administração Pública exprimir, de forma livre e incondicional, opiniões sobre assuntos que podem melindrar o governo.
6. É por sentir que o medo de falar se instalou na administração pública cabo-verdiana que a mim, ninguém me cala, por mais que se esforcem, pois a liberdade veio para ficar em Cabo Verde e para isso lutamos e continuaremos a lutar sempre!