DIRECTOR & COLUNISTA -
Pedro de Carvalho, Consul Geral de CV em Boston
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New Bedford (NB) recebeu calorosamente a Sua Excelência, O Consul Geral de Cabo Verde residente em Boston, Sr. Pedro Carvalho que acaba de assumir o cargo em substituição da anterior representante de Cabo Verde em Boston , Maria de Jesus Mascarenhas. A recepção inclui uma comitiva formada por várias entidades governamentais locais e estaduais de Massachusetts especialmente da cidade de New Bedford, muitos deles de origem cabo-verdiana. Esses dignatários apresentaram assim palavras de apreço pela chegada do Novo Consul em Boston e disponibilizaram-se para colaborar com o novo Consul de Cabo Verde em tudo que estiver do seu alcance para que possa cumprir, da melhor forma, os grandes objectivos que propõe a sua missão neste país. A recepção teve lugar no Whalers Museum e o painel inclui entre vários outros, o representante Estadual de Massachussetts Viny Macedo, O Mayor da cidade de New Bedford, um dos city "counselors" de New Bedford de origem cabo-verdiana, o Superintendente das Escolas Públicas de New Bedford, um Director escolar, membros de organizações não governamentais como o representante da Associação cabo-verdiana de NB, Selo Ernestina. Foi uma encorajadora recepção que concluiu com um pequeno cokctail à moda Americana e momentos de socialização entre os convidados. Reforçou-se assim mais uma expectativa de um contínuo melhoramento da representação cabo-verdiana nos Estados Unidos junto das comunidades residentes.
Estive presente no evento como representante da FORCV. Passa agora a abordar algumas questões preocupantes e de interesse dos cabo-verdianos na Nova Inglaterra que o Consul Carvalho deve rever durante a sua fase de auscultação do comunidade que foi-lhe incumbido servir.
Serviço de Atendimento e Localização do Consulado Geral
Os emigrantes cabo-verdianos nos Estados Unidos já vêm reclamando, há muito, um melhoramento no atendimento nos balcões do seu Consulado. Uma dessas questões está ligada à localização do Consulado Geral de Cabo Verde na região central de Boston, "Downtown" (Baixa da Cidade), que para muitos é um local de pouca accessibilidade para a sua clientela, os imigrantes espalhados pelos diversos Estados da Nova Inglaterra.
Ē uma questão que já vem sendo murmurada de há alguns anos mas não parece haver uma vontade expressa para discussão e resolução desta questão tão importante para a vida dos cabo-verdianos residentes nesta região como há para resolver os próprios interesses do governo de Cabo Verde. O Consulado que se supõe, também, uma loja para atender os imigrados neste país, deve engajar-se mais no intercâmbio com os imigrantes e na colocação de seus balcões mais perto de sua população, de um modo contínuo e eficaz. Também é importante debater os interesses maiores desta população imigrada, quer a de fazer uma simples procuração, a abertura de uma conta bancária no país de origem, emissão de um passaporte nacional cabo-verdiano ou o engajamento de seus membros numa interacção positiva que resulte no reforço da sua identidade e no sentido de pertença dos mais jovens visto que elas são algumas das matérias de interesse largamente expressa pela comunidade. O encorajamento das comunidades em aumentar a procura destes serviços, que são basicos, é muito limitado, conforme indicam reclamações de vários membros da população cabo-verdiana residentes em Brockton, Dorchester, New Bedford, Providence e Pawtucket.
A procura dos serviços por vezes fica caro e causa transtornos diversos
Um cidadão caboverdiano-americano relatava sobre a necessidade de emitir um passaporte urgente, pois queria viajar para Cabo Verde, a terra dos seus país, e defronta com o seguinte: Não havendo uma loja do consulado numa zona accessível onde ele podia de uma forma rápida e sem grandes transtornos tratar os seus assuntos, teve de enfrentar a perda de um dia de trabalho para deslocar para o balcão do Consulado em Downtown Boston. Com uma grande dificuldade de estacionamento teve que estacionar fora de lugar apropriado. Neste desespero de resolver uma questão urgente, custou-lhe uma multa de $50.00 mais alguns aborecimentos e vários transtornos. Como resultado, todo o serviço recebido, entre a perda de um dia de trabalho, o stresse psicológico, os aborrecimentos e a multa, um total elevadíssimo que ultrapassa o que ganha em dois dias de trabalho, para no fim continuar insatisfeito com os serviços que recebeu.
Os problemas que derivam da localização do Consulado em Downtown não é so deste tipo. Infelizmente, há pessoas que não conseguem sequer entrar numa auto-estrada para conduzir e ir a um lugar distante. Enquanto que as regiões suburbanas oferecem estradas alternativas internas, para o Downtown Boston não existe alternativas outras senão a via da auto estrada. Outras pessoas não podem ou sabem conduzir um carro, pessoas essas que dependem de favores de amigos e familiares para se deslocarem a hospitais, supermercados e ao trabalho. Muitos residentes cercados pelas condições acima descritas, simplesmente abdicam dum serviço tão importante para eles, em vez de enfrentarem estas dificuldades. Em alguns casos, nem se quer conhecem os serviços prestados pelo nosso Consulado, o que equivale dizer, fica mal servido.
O Consulado tem feito alguma coisa para melhorar o seu atendimento
Em seu abono, há alguns esforços para estender os postos de atendimento para fora de Boston. Encontra-se aberta um posto de atendimento em Brockton, funcionando dois dias na semana no prédio da Associação Cabo-verdiana para servir a comunidade das regiões de Brockton e arredores. Mais recentemente, abriu-se uma posto de atendimento em Pawtucket que funciona uma vez por semana. O Consulado abriu ainda mais um posto de atendimento em New Bedford, que por momento encontra-se fechado, informou-nos uma fonte. Trata-se na verdade de um esforço dos seus administradores em alargar os seus serviços. Porém, é um serviço que mal responde às solicitações de urgência e não é regular, isto é, durante toda a semana. Os interessados são atendidos nestes dias e recolhem os seus documentos depois de uma semana.
Porquê que o Consulado de Cabo Verde insite em manter o seu escritóro em Downtown Boston?
Esta é a pergunta que muitos residentes continuam fazendo e cuja resposta a população imigrante nos Estados Unidos espera ouvir, desta vez, do Excelentíssimo Consul de Cabo Verde, a quem muitos cabo-verdianos já manifestaram o seu apreço pela sua vinda. A pergunta talvez seria, porque o Consulado ainda não se encontra numa região equidistante e de fácil acesso para a sua clientela? Com respeito aos interesses superiores da representação de Cabo Verde nos Estados Unidos, deve-se entender que sobre a localização do Consulado de Cabo Verde em Boston identifica-se, entre outros, os seguintes problemas: É mais caro a instalação do Consulado no centro de Boston do que em qualquer outro lugar em Massachussetts devido ao custo dos imóveis em Downtown, aumentando assim o custo da representação. A circulação de bens e pessoas é muito mais difícil, complexa e bastante cara, desencorajando assim a deslocação de pessoas para estes lugares e diminuindo com isso a procura dos serviços que ora presta. O Downtown fica numa periferia em relação a população cabo-verdiana de Nova Inglaterra, isto é, numa região periférica em relação às localidades onde residem e trabalham os cabo-verdianos. Portanto, o Consulado está numa região relativamente isolada das suas populações. Ele não demonstra assim, apesar dos esforços de outreach e tentativamente de ramificação dos seus serviços de atendimento ao cliente, um melhoramento significativo na sua prestação.
Quem está mal servido?
Há, pois, duas franjas da população que são desencorajadas da procura dos serviços do Consulado, seja pelo custo que a deslocação representa, seja pelas dificuldades de accesso, ou pela enorme perda de tempo que a deslocação implica. A primeira é reprentada por pessoas mais idosas que imigraram para os EUA, já adultos, e de uma escolaridade baixa, isto é, a maioria dos seus clientes. Esta franja de pessoas que frequentemente não sabe conduzir, é constituída por pessoas que nem sequer podem faltar a um dia de trabalho para tratar de um assunto onde quer que seja devido a precaridade do seu emprego. Elas são pessoas que, por vezes não sabem sequer como usar um transporte público para ir até ao Downtown Boston. Ē exactamente aquela que tem mais interesses nos serviços do Consulado e portanto mais receita eventualmente trará para o Consulado. Uma das razões disso é que esta franja da população imigrante não conseguiu uma integração plena e uma assimilação da cultura e da complexidade do mundo americano. Ela veio com o único objectivo de adquirir o bem tangível. Ela não está interessada em elevar a sua educação, embora isto seja essencial, mas sim a sua conta bancária, quando isto for possível. Por isso, ela mantém uma ligação mais estreita e laços mais fortes com os seus familiares em Cabo Verde e com Cabo Verde. Ela mantém uma conta aberta, participa na resolução financeira diária de familiares em Cabo Verde atravéz de suas remessas não necessáriamente através das instituições financeiras, possui ou tem interesses de investimentos económicos no país onde nasceu e tem a pretensão de regressar para o seu país, um dia. Precisamente por a sua integração no país de destino não ser completa, ela se encontra emocional e materialmente ligada a sua cultura e seu país. Esta é a população que se sente ameaçada pela localização do Consulado no centro de Boston.
A outra franja, também importante, que deve ser do interesse do Consulado, é a comunidade jovem da população imigrada. Ē aquela que imigrou muito jovem ou mesmo nasceu nos Estados Unidos. Esta franja encontra-se em sérios problemas neste país. Ela nessessita de um resgate urgente ou ainda Cabo Verde irá pagar um preço caro se não se reagir rápidamente. Ē sintomático já o resultado negativo que a deportação em Cabo Verde tem provocado a par de outros problemas locais. Trata-se de um iceberg de problemas que estão sendo importados e que poderá ser bastante significativo para Cabo Verde. Esta é a franja que representa ideias avançadas não só da cultura americana mas também de crimes de grupos organizados, ou seja, os gangs. Sem querer diminuir a importância de outras influências menos benvindas em Cabo Verde, mas as novas ideias de crimes que recentemente assolam Cabo Verde como “kasu bodi” e “thugs” não é nada mais do que a tradução directa das ideias de crimes praticadas aqui nos Estados Unidos. A franja da população imigrante onde estes indivíduos são recrutados, a família, pode ainda beneficiar de programas educativos, culturais, de integração e de sensibilização numa colaboração conjunta com educadores, profissionais de saúde, instituções de educação e serviços sociais americanos e cabo-verdianos locais.
O Consulado situado numa região que desperte nos cabo-verdianos residentes nesta terra a curiosidade, a vontade de utilizar os seus serviços e de fácil acesso seria bastante desejável em momentos come estes ao invés de os seus membros se verem senão “obrigados” a contentar-se pela falta de melhores alternativas. É quase seguro afirmar-se que os custos de operação do Consulado na região de Downtown é inversamente proporcional às receitas que arrecada para, quiçá, esta valiosa instituíção continuar aumentar e a melhorar os serviços que oferece para satisfazer as necessidades da sua clientela. Nas regiões onde residem ou trabalham os cabo-verdianos, isto é, em zonas suburbanas ou semi-urbanas, os custos dos imóveis são incomparávelmente mais baixos do que na região de Downtown Boston. O Consulado poderá ainda se dar ao luxo de melhorar o seu espaço e simultâneamente aumentar a procura dos seus serviços e daí a sua receita e a sua prestação. Ainda, estando o consulado mais perto da sua população, o seu contacto permanente e regular com as várias franjas da população cabo-verdiana seria facilitada e a sua cooperação com as organizações locais com interesses comuns seriam mais estreitas e o resultado de um trablho conjunto e articulado teria um impacto maior, junto da comunidade em geral.