Primeiro-ministro José Maria Neves
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PRAIA (Sapo/inforpress) -- O primeiro-ministro disse sábado, em Achada Falcão, Santa Catarina, que os parlamentares cabo-verdianos podiam ir um pouco mais longe em matéria de revisão da Constituição, colocando o Crioulo em paridade com a Língua Portuguesa”.
José Maria Neves revelou esta sua preocupação durante um encontro com professores e alunos da escola secundária Armando Napoleão Fernandes.
O Chefe do Governo realçou que o crioulo cabo-verdiano simboliza uma marca identitária fundamental, e que, assim como a portuguesa, representa um património nacional.
O primeiro-ministro alertou, entretanto, que, para além de cumprir a Constituição, deve-se “continuar a desenvolver a língua cabo-verdiana”, em todas as suas variantes.
A este propósito, garante que todas as variantes da língua materna são extremamente importantes e úteis para a construção “deste grande património de Cabo Verde”, razão pela qual exortou o liceu a honrar o seu patrono, o “grande cultivador da nossa língua” e que deixou o primeiro dicionário da língua cabo-verdiana, considerado pelo PM como um pouco do futuro da língua crioula.
José Maria Neves voltou a manifestar a sua ambição em ver as escolas cabo-verdianas a transformarem-se em centros de aprendizagens de cidadãos, que permitam transformar as pessoas em cidadãos, alegando que não valem apenas instruírem as pessoas, mas que tenham a dimensão explícita dos seus deveres, para poderem ser “homens de corpo inteiro”.
Numa breve alusão à violência juvenil, que expande com alguma gravidade, um pouco por todo o país, o primeiro-ministro deixou algumas interrogações em relação ao cumprimento dos seus papéis pelas famílias, escolas, igrejas, governo, e o próprio Estado.
Perante uma plateia atenta, formada pelos professores e alunos deste estabelecimento do ensino secundário, José Maria Neves incitou os educandos para que o ensino aposte na escola do desporto, de forma a ser fundamental na formação integral dos jovens.
Neves chamou a atenção das escolas no sentido de abrirem os olhos aos jovens para que optem por uma escolha inteligente, em vez de seguirem o caminho de delinquência e foi mesmo pragmático ao tecer o seguinte exemplo: “em vez de liderar um grupo thug, poderá liderar um grupo desportivo, de batuco ou de funaná”.
Convicto de que até ao final desta legislatura, o Governo irá concluir a infra-estruturação básica para o ensino secundário, o chefe do executivo afirma que o grande desafio passa por exigir mais em termos de qualidade, designadamente, na regulação e aceleração do ritmo do desenvolvimento do ensino superior, na investigação e numa posta clara na qualidade a nível do ensino básico e do secundário.