About Us

The Leading Cape Verdean News Site | O Líder da Informação na Diáspora
Advertise With Us

Saturday, 25 October 2014
OPINIONS - Electra: A felicidade de uns e a desgraça de outros

Follow us on

Google Picasa

Upcoming Events
Sat Sep 20
Citizenship Day in Boston: Free Workshop
Sat Sep 20 @12:00PM - 06:30PM
School Supply Drive & Cookout (by Asosiason di Fidjus i Amigus di Santa Cruz)
Sat Oct 11 @ 7:00PM -
CV Association in New Bedford: Anniversary Gala
Banner
Joomla Templates and Joomla Extensions by ZooTemplate.Com
Classifieds

 
     
Luís Carvalho
Electra: A felicidade de uns e a desgraça de outrosPrintE-mail
Saturday, 23 July 2011
Written by Luís Carvalho

luis_carvalho.jpg

Não foi ao acaso que escolhi o título em epígrafe para esta pequena dissertação sobre a empresa cabo-verdiana responsável pela produção de água e energia eléctrica, Electra.

Sim, é verdade que esta empresa tem sido “felicidade” para uns e desgraça para outros. Explico-me porquê: felicidade é para aqueles que usufruem gratuitamente da energia e água produzidas por esta empresa e, no fim do mês, se vêem livres de qualquer encargo financeiro, apesar de produzirem riqueza, como mais adiante veremos. Desgraça é para os que pagam as suas facturas regularmente, em muitos casos, sem que o consumo corresponda ao “papelinho” das leituras que a Electra faz ou devia fazer.

Não constitui segredo para ninguém que uma parte significativa da produção da Electra é desviada, ou seja, roubadas. Há quem fale em mais de 47%. Certo é que ninguém conseguiu ainda quantificar o prejuízo que a empresa vem acumulando por causa da pirataria de que é vítima. Um dos administradores da Electra já veio a público dizer que a empresa tem um prejuízo diário de 18 mil contos por causa do roubo de energias. É muito dinheiro, convenhamos.

As pessoas fazem ligações clandestinas, pondo em risco a própria vida. No ano passado registaram-se alguns casos de morte por electrocussão, sendo todos eles relacionados com tentativas de ligações clandestinas. Isto equivale a dizer que esta forma desonesta de se obter energia eléctrica tem provocado danos irreparáveis em algumas famílias cabo-verdianas. Todavia, nem por isso deixam de arriscar a vida a troco da energia eléctrica.

Milhares dos chamados utentes clandestinos da Electra não só usam, como também abusam de um bem em relação ao qual não pagam um centavo sequer. Ironizando um pouco, eu diria que quem deve estar prejudicado com o “negócio” dos clandestinos são as empresas petrolíferas. Estas podiam estar a vender mais botijas de gás do que tem sido até ao momento. Diz-se à boca cheia que muita gente, sobretudo nos bairros suburbanos da Praia, investiram na aquisição de fogões eléctricos, pois fica-lhes mais barato fazer uma cachupada, utilizando a electricidade que roubam à Electra do que estar a comprar uma botija de gás.

Existem pessoas que durante toda a vida tomaram banho de água fria, mas hoje preferem um duche quente. Um esquentador eléctrico a funcionar à base de “mascadjon” (grátis) cai-lhes sempre bem.

Além daqueles que fazem ligações clandestinas, que é do conhecimento público, porque a comunicação social já os denunciou, existem as oficinas mecânicas e de serralharia que, tendo ligações regulares, usam truques que conseguem fazer os ponteiros dos contadores dos quadros eléctricos andarem a passo de cágado. Mensalmente, podem facturar milhares de contos à custa da pobre Electra.

Alguns casos de pirataria contam com a conivência de certos funcionários da empresa que não resistem à tentação das chamadas mãos fechadas. Mas, por que razão a Electra não consegue fiscalizar os bens que lhe pertencem? Não tem falta de gente para o efeito. Possui, a meu ver, pessoal suficiente que, reconvertido, podia fiscalizar muito bem os contadores da empresa, por exemplo.

Apesar de ter excedente de pessoal, como se diz, todos os dias se ouve falar em admissão de caras novas na Electra. No entanto, nem por isso existem resultados. Uma empresa que chegue à situação de não ter dinheiro para comprar combustível, deixando uma cidade como a Praia às escuras, significa que algo não vai bem. Se não vai bem é porque está a faltar alguma coisa na gestão daquela que pode ser considerada uma das mais importantes empresas do país.

Não obstante a situação que se conhece, a estrutura directiva da empresa mantém-se de pedra e cal. Razões só as conhecem quem ainda teima em mantê-la ali. A TAP – Transportadora Aérea Portuguesa – conheceu momentos conturbados e, para resolver o problema, o governo mandou vir do Brasil um gestor.

Não cabe a mim indicar o rumo que se deve dar à estrutura directiva de uma empresa que está na boca dos cabo-verdianos, infelizmente, pelos piores motivos. Por esta razão a Electra está a ser um dos motes das campanhas presidenciais que estão a decorrer em todo o país.

Há pouco mais um ano, se a memória não me trai, entrou em vigor a lei que torna crime o furto de energia eléctrica. Isto equivale a dizer que ninguém pode justificar que a falta de legislação impede que seja combatida a pirataria da energia eléctrica e água produzidas pela Electra.

Os tribunais são, neste momento, conforme informações prestadas pelo director-geral da Indústria e Energia, depositários de mais de seis centenas de processos relacionados com a ligação clandestina de energia eléctrica. Pergunta-se qual tem sido o desfecho dos mesmos? Estão ali a engrossar as listas de espera de milhares de outros processos que aguardam o destino final, que se dividem entre duas hipóteses: a prescrição ou a sentença final. A primeira é mais provável.

Em Cabo Verde, a justiça é demorada e, por conseguinte, corre-se o risco de se assistir a um colapso nas decisões da organização da sociedade. Uma sociedade só se dinamiza com uma justiça dinâmica e competente.

Há dias, ouvi da boca de um político, aliás, já tinha feito estas declarações em outros momentos, de que o partido no poder controla, entre outras instituições, a Justiça. Achei absurda esta afirmação que, amiúde, tem sido feita e sem que os visados venham ao público desmentir.

Se, na verdade, o partido no poder controla a Justiça, então, este controlo está a ser feito de forma muito incompetente. Se não, vejamos: como é possível que as mais de seis centenas de processos de ligações clandestinas encaminhados aos tribunais ficam ali pendentes, enquanto os prevaricadores permanecem imunes?

Acredito que no dia em que correrem notícias de que fulano ou beltrano foi sancionado pelo tribunal por causa do roubo de energia eléctrica, os desaforados, pelo menos, pensarão  duas vezes antes de aventurarem no estabelecimento de ligações clandestinas. O furto de energia eléctrica, aliado a outros factores, pode ser um das causas responsáveis pela situação por que vem passando a Electra.

Repito. Uma Justiça dinâmica e competente pode ser um elemento impulsionador do desenvolvimento de uma sociedade. Uma Justiça lenta pode fazer desmoronar uma organização, como a da Electra.



Tags: Electra  
Share/Save/Bookmark
 
Luís Carvalho

Luís Carvalho

JORNALISTA

 

BIO

 

Atenção: As opiniões expressas pelos colunistas não representam a posição da FORCV. Elas apenas traduzem o ponto de vista dos mesmos. A FORCV publica artigos de opiniões de diferentes colunistas com o intuíto de apresentar diversos pontos de vistas aos nossos leitores. Por isso, convidamos pessoas interessadas a enviar artigos de opiniões para editor@forcv.com.

Latest ArticlesMost Read Articles

Comments  

 
0 #3 abettencourt 2011-09-14 13:19
mas quem dá cabo das empresas públicas é o próprio governo que, coloca só gente amarela, job for the yellow boys. Imaginem o CA que a Electra tem? andamos a brincar com coisas sérias. Rui Spencer, Anselmo Fonseca. Estamos a ter os resultados que o paicv semeou na administração da electra. quem designa gente bera, recebe resultados desastrosos. É tempo de acabar com a distribuição de tachos aos camaradas. Porque é que o governo não nomeia um Gestor credenciado para gerir esta difícil empresa? seria difícil? na verdade, estamos interessados é em criar jobs para boys e não resolver os reais problemas. aja competência e promoção do mérito...
 
 
0 #2 Sobrinho do Mário de Tarrafal 2011-07-25 10:45
O meu Tio o malogrado-falecido Mário, foi assasinado pelo Aristides Pereira ex Presidente do Paicv no Tarrafal, com o seu carro que bateu violentamente na moto do meu tio Mário! Até, hoje não fizeram justiça contra o Aristides Pereira, assim que imagino que o caso da Eneida Nelly vá ficar impune também e (s)-em (In)-jusitça.
 
 
0 #1 Agente do FBI-caboverdeano 2011-07-24 15:38
Eneida Nelly-o desvendar de um crime político hediondo e perfeitamente executado em CV;
O José Luis Neves é filho do José Maria Neves um cidadão VIOLENTO com tradições de rixa em que:
- José Luis Neves( Agrediu criminalmente) mediante BOFETAS e AGRESSÕES a namorada em plena rua do bairro, facto este que veio relatado nos comentários dos mentideros do jornal Asemana;
- José Luis Neves(envolveu-se criminalmente em rixa) com cidadãos filhos de empresários na cidade da Praia, em que ele teve que receber asssitência hospitalar e ser saturado com quatro(4) pontos na face, facto este publicamente divulgado pelo jornal Já;
Conhecendo o nervosismo animalesco, fanático, incivilizado e selvático do José Luis Neves, em defender o partido do PAI, o José Maria Neves, tudo leva a crer que o cidadão José Luis Neves entrou em profunda ruptura e discordância com a namorada Eneida Nelly, economista, poetisa e escritora e apoiante incondicional do MPD nas últimas eleições legislativas de 6 Fevereiro em Cabo Verde;
- O orgulho de macho crioulo ferido e ofendido( José Luis Neves) com a namorada Eneida Nelly, faz com que toda a probalidade o mesmo tenha encomendado a morte fisíca da Eneida Nelly, com um crime perfeitamente BEM orquestado, sem deixar rastos e criar a ilusão de ser um suicidio causual;
Contornos estranhos por explicar:
- Porquê, que a Eneida Nelly, não suicidou durante toda a sua estadia no estrangeiro(Por tugal) lugar onde ela estaria mais frágil emocionalmente e depressiva por estar longe da família, amigos, conhecidos e ela veio sofrer a morte no Tarrafal no lugar onde ela estaria mais feliz, junto dos amigos, familiares, conhecidos, vizinhos,colega s, conterrâneos???????; Porquê, não foi em Portugal(no estrangeiro) e veio a ser no Tarrafal?????Ai, tem coisa estranha e escondida por explicar e desvendar.....
-As pessoas que sofrem depressão normalmente estão mais frágeis no INVERNO e escolhem esta estação do ano para colocarem o término á vida. Ora, bem a Eneida Nelly passou toda a estação do inverno no estrangeiro(Por tugal) e nada lhe aconteceu e quando ela chegou ao clima de veraneio de verão com sol e mar no Tarrafal, que transforma todas as almas felizes ela aparece morta?????????? Ai, tem coisa estranha e escondida por explicar e desvendar.....
Conhecendo, a tradição recente e tentativa de com intenção de matar um empresário Manuel, dono da Baia Verde, pró - MPD no Tarrafal este ano com recurso á bomba no seu carro e atendendo, a onda de criminalidade envolvendo filhos de políticos caboverdeanos(O Stefanni filho do ex Presidente da Câmara Municipal da Praia o Jacinto Santos matou o Dudu) e se analizarmos que a Benilde Correia e Silva irmã do Ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação António Correia e Silva, está envolvida na tentativa de assasinato do Magistrado Faustino Varela, não é nada inocente e natural a morte da Eneida Nelly por assasinato mediante a encomenda de um crime perfeito;
A omissão da IN-JUSTIÇA em Cabo Verde, em que o PAICV tem controlado todo o poder judicial em CABO VERDE, em que os amigos é que lideram e comandam a PGR,-PJ,-STJ, etc... e a inexistência de um corpo de medicina legal isento com coragem ciêntifica para efectuar uma autópsia cabal da vitima e desvendar este crime hediondo leva tudo a ficar em águas de bacalhão sem investigação. E como não temos a tradição de jornalismo de investigação criminal em Cabo Verde, que investiga crimes e publica nos Media(Jornais, Rádios, Tvs) tudo leva a crer que o despota vai ficar impune;
Esse mesmo despota o José Luis Neves, que chega a Cabo Verde, e só por ser filho do PAI-José Luis Neves, autoemprega-se na BVCV e aufere um salário austronómico de 250 mil escudos uma imoralidade e ilegalidade nacional;
Justiça, popular com CORAGEM precisa-se urgentemente...
 
   

Advertise - About Us - Site Map - RSS

© 2005-2014 forcv.com - All rights reserved, USA.